quinta-feira, 4 de junho de 2020

GALINHAS-DE-ANGOLA

Há muito tempo atrás, quando eu morei num sítio nos arredores de Itu (época do Pravda Videz - Merdolog, ICQ, MSN, internet discada, celular analógico, nem tinha Gmail e Orkut ainda), havia vários animais: uma dúzia de patos, seis pavões, um sem número de galinhas e galos...

...e quatro galinhas-de-angola.

Êta bichinho barulhento essa galinha pintadinha preta e branca.

Era só os outros bichos chegarem perto e elas começavam a gritar loucamente, como se estivessem sendo atacadas. Meu tio, dono do sítio, chegava com vassoura na mão e espantava os outros bichos de perto das galinhas-de-angola. Até o coitado do vira lata caramelo - o Quico - que lá vivia foi tocado na chinelada umas vezes, tamanha a barulheira que as quatro habitantes faziam.

Passava dia e noite, as galinhas-de-angola gritavam, pessoal achava que elas estavam sendo ameaçadas, e lá ia um pato ou uma galinha amarelinha pra panela.

Belo dia, parece que os bichos se revoltaram.

Sorrateiramente, cercaram as galinhas-de-angola em plena madrugada, num canto remoto do sítio, e desceram o cacete.

Resultado às 5 da manhã, hora de colher os ovos: uma morta, uma toda depenada e as outras duas dentro de uma toca, acuadas, de onde só saiam, silenciosas, pra comer, quando os outros bichos não estavam perto.

Moral da história? Fui entender quase 20 anos depois.

As galinhas-de-angola (barulhentas demais e em número ridiculamente menor) são os neofascistas de internet e passeata golpista.

Os outros bichos somos nós. O POVO.

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